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Política

OPINIÃO - O DEDO RUIM DO ELEITOR DE TAUBATÉ

Crise na na atual administração da cidade revive os problemas já sofridos desde 1982.

Publicada em 10/10/23 às 19:12h - 92 visualizações

por João Angelo Guimarães


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Charge de 1927 da Revista Careta traduzida para a realidade de Taubaté  (Foto: JPB Estúdio Mix)

 Taubaté atravessa mais uma crise na administração da prefeitura, que desde 1993 tem os ocupantes do Palácio Bom Conselho respondendo a processos na justiça, com cassação do mandato, bens bloqueados e condenações judiciais. Na Câmara Municipal a situação não é muito diferente, desde 2010 vereadores e ex-vereadores estão respondendo processos por improbidade administrativa e uso ilícito do cargo.

 A cidade de Taubaté está revivendo uma situação crítica, que desde 1995 reproduz a penúria sofrida pelos munícipes nas áreas da saúde, da educação, da assistência social e da infraestrutura básica. Dívidas milionárias que passam de um prefeito a outro, sucateiam os serviços públicos com falta de atendimento ambulatorial e clínico, falta de remédios, falta de profissionais da saúde, falta de vagas para crianças em creches, escolas com a manutenção precária, infraestrutura viária decadente, limpeza urbana deficiente, transporte público caótico, blackout na iluminação pública e por aí vai.

 Em 2023 a prefeitura mais uma vez cria um gabinete de crise para cortar custos e despesas, posterga pagamentos a fornecedores e reduz serviços essenciais, manobra essa já tomada em administrações anteriores para tentar trazer ordem às finanças públicas. Quase sempre sendo uma decisão pífia, que não repõe a qualidade do serviço público que se espera para atender as demandas dos cidadãos taubateanos.

PREFEITOS NÃO PERFEITOS

 Taubaté foi a primeira cidade criada no Vale do Paraíba paulista, com habitantes no local desde 1625, já foi a capital do vale, foi o primeiro centro industrial em 1890 e a primeira a ter uma universidade municipal em 1976. Também foi um celeiro de artistas com renome nacional no Teatro, no Cinema, na Televisão e na Literatura. Mas tudo isso ficou no passado glorioso. Hoje Taubaté assiste suas cidades vizinhas como Caçapava e Pindamonhangaba crescerem mais e melhor com um planejamento pensado para as próximas gerações.

 Por quê isso acontece? À primeira vista pode-se culpar o eleitor taubateano, que conduziu através do voto a pessoa que iria cuidar dos interesses coletivos, o prefeito. E aí se constata que o eleitor cidadão de Taubaté tem o dedo ruim para escolher seus políticos.

 Senão vejamos. De 1982 até agora Taubaté elegeu 6 prefeitos, sendo que dois deles foram reeleitos e um foi reconduzido 3 vezes, no período de 41 anos. De todos os que ocuparam a cadeira do Bom Conselho apenas um ex-prefeito é ficha limpa, sem responder a nenhum processo ou nenhuma condenação judicial no exercício do mandato ou após - Salvador Khuriyeh. Abre a fila das condenações o prefeito por três mandatos, José Bernardo Ortiz, já um deles foi preso no exercício do mandato por corrupção, Roberto Peixoto, outro foi cassado e reconduzido pela Justiça Eleitoral, Ortiz Júnior, um outro teve a perda dos direitos políticos por promoção pessoal, Antonio Mário, e os outros 3 ex-prefeitos, junto com o prefeito atual, José Antonio Saud Júnior são réus na justiça cível e criminal, com os bens bloqueados. Por essas e outras, Taubaté se tornou motivo de chacota nacional, saindo daqui todos os memes que configuram falcatruas ou oportunidades da chamada “Lei Gérson” pelo Brasil afora.

VEREADORES OU VAREJADORES?

 A definição do termo vereador se perde nas brumas do tempo, sendo umas das suas definições o que se segue:

 Vereador vem do latim veredus, que significa “cavalo de viagem”. Este animal, o “veredus”, usado para o serviço de entrega de correio, acabou dando o seu nome ao caminho que percorria, a vereda. Havia uma função pública que implicava em cuidar das veredas de uma cidade, daí o nome “vereador”.

 Até 1910 no Brasil a Câmara Municipal era responsável pela administração das cidades, quando um dos seus membros, em eleição indireta era eleito o Intendente Municipal, o vereador responsável por administrar as demandas do município e prover as necessidades dos cidadãos.

 Pois bem, desde a criação do poder executivo a partir dessa data o vereador passou a ter a função principal de legislar em prol dos seus munícipes, aprovando projetos de leis municipais para ordenar a vida nas cidades. Outra ação principal do vereador é a fiscalização dos atos do Poder Executivo, verificando se o prefeito faz bom uso dos impostos e contribuições pagas pelos cidadãos.

 Mas, na prática o que mais se vê são os ocupantes da câmara fazendo uso político do cargo, numa espécie de barganha com a prefeitura para conseguir benesses para o seu “curral eleitoral”, e ficar “bem na fita” com seus eleitores.

 O vereador para garantir sua reeleição procura atrelar-se ao prefeito de plantão votando as matérias que são do interesse do grupo político do prefeito. Se agir assim garante as benfeitorias para seu bairro, para sua denominação religiosa, para seu time esportivo, a colocação de asfalto e lombadas nas ruas indicadas, nomes de ruas que homenageiam seus conhecidos já falecidos, títulos de cidadão honorário para “autoridades” e por aí vai o dia-a-dia do vereador no exercício de seu mandato. Nada disso é função de um vereador.

 O candidato a vereador em sua maioria é oriundo de algum tipo de assistencialismo, fazendo carreira em entidades filantrópicas, em emissoras de rádio, sendo um líder religioso, um representante sindical, um empresário do comércio, alguém que consegue com sua verve convencer os futuros eleitores que vai lutar pela causa popular.

 Filiam-se a partidos políticos que investem nessas candidaturas porque são bons puxadores de voto na guerra de conquista das cadeiras parlamentares para estabelecer a maioria na câmara e dominar a pauta de votações a favor do prefeito.

 Quando eleitos, esses vereadores, que não tem o menor conhecimento sobre a estrutura da administração municipal e muito menos sobre a legislação brasileira, tornam-se massa de manobra dos interesses corporativos e políticos de grupos que visam lucros sobre as “oportunidades” do poder público.

 Com esse nível de conhecimento o que mais se vê nas sessões ordinárias da câmara municipal é a discussão política entre oposição e situação governistas, toda semana em debates espúrios sobre posicionamentos sociais e de costumes. Enquanto isso, a cidade vai retrocedendo, não se pensando e olhando para os desafios futuros de uma cidade sustentável e com qualidade de vida.

 Em Taubaté, desde 2010 cerca de 20 vereadores e ex-vereadores responderam e respondem a processos na justiça cível e criminal por improbidade administrativa, uso indevido do cargo e suspeita de enriquecimento ilícito. Alguns deles já condenados perderam seus direitos políticos em ações que ainda cabem recursos.

 Muitos desses “varejadores”, que vendem facilidades para o povo inculto, e que muitas vezes não tem nem a formação básica do ensino fundamental, têm apenas interesses pessoais, e a história é pródiga nesses exemplos que usam da religião, dos meios de comunicação e do sofrimento alheio para atingirem seus intentos não republicanos.

 O eleitor quando vota num amigo, num conhecido do bairro, num parente ou em uma “liderança” local, muitas vezes não leva em conta se o candidato tem capacidade para ser sua voz e seu representante na câmara municipal. O final é sempre o mesmo, esse vereador eleito vai trabalhar pelo seu interesse e pelo interesse do prefeito, e de 4 em 4 anos a desigualdade social só vai crescer, a infraestrutura decadente não vai atender as necessidades mais básicas sanitárias e de saneamento, dívidas milionárias passadas à frente, falta médicos, remédios, professores, cultura e lazer.

 Como diz o velho aforismo: “Cada povo tem o governo que merece”. Nunca antes na história de Taubaté esse ditado caiu tão bem para a desgraça de todos os seus cidadãos.




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